quarta-feira, 6 de maio de 2009

Debate literário na Unimonte

No último dia 28, participei do debate literário da Agenda Cultural do Eureka, na Unimonte. Na mesa, além de mim, estavam o escritor Daniel Salgado e o ilustrador Alexandre Barbosa. Em pauta, a produção, edição e ilustração de livros. O evento, organizado pela nossa querida bibliotecária Mahê, marcou o encerramento das comemorações do mês do livro.

Um comentário:

Fanzine Episódio Cultural disse...

O julgamento da humanidade


A inocência, a sabedoria, a esperança e a fé reuniram-se pela última vez. Em pauta: o julgamento da humanidade. Todas chegaram à conclusão de que deveriam abandonar o homem e deixá-lo entregue a própria sorte.
A inocência afirmou:
– O homem sempre soube o que estava fazendo e nunca se responsabilizou por suas barbáries!
A sabedoria enumerou algumas causas que levaram o homem ao seu desfecho:
– Ao descobrir o fogo, o homem sentenciou sua própria existência. Aprendeu a controlar o elemento que o tornaria senhor entre as criaturas. Entretanto, ele usou arbitrariamente (armas atômicas) contra o seu irmão!
A esperança que estava ao lado da fé desabafou:
– E essa criatura que denomina-se “racional” sempre foi incapaz de enxergar a si próprio e ao seu semelhante.
E continuou:
– Até eu mesma senti que não lhe restava mais esperança!
A fé, que até aquele momento se encontrava calada, levantou-se. Convidou a todas para irem até o jardim onde revelaria o seu ponto de vista:
– Quando o homem ainda engatinhava, você o amava, inocência. Contudo, não lhe foi fiel quando ele desviou para o caminho do mal.
Concluiu:
– E você, sabedoria o encheu de novas descobertas e curas. Agora que a criação se rebelou, você a acusa?
– Quanto a você, esperança, sua culpa lhe cai em dobro, pois vivia alimentando-o com falsas promessas.
Todas estavam cabisbaixas ao perceberem sua parcela de culpa. Subitamente elas perguntaram-lhe uníssonas:
– E quanto a você... Qual a sua parcela de culpa?
Com a voz embargada a fé respondeu:
– “A fé remove montanhas...”. Infelizmente a humanidade me outorgou uma missão, que até hoje eu nunca pude cumprir...



*Agamenon Troyan