domingo, 16 de outubro de 2016

Tardis, vampiros e Sonserina

Estudiosos e críticos de Literatura Fantástica possivelmente escreveriam este texto de outra maneira. Colocariam as definições de importantes teóricos, apresentariam as várias subdivisões do gênero, suas características e relações com outros tipos de literatura, e, de quebra, fariam uma análise do atual cenário brasileiro, apontando tendências e autores mais talentosos. Meu texto, no entanto, segue outro caminho, pesando aqui e ali minha percepção como escritora com vários títulos no gênero e, acima de tudo, como a grande fã que sou desse tipo de história.


E que tipo é esse de história que consideramos Literatura Fantástica? Para mim, é aquela que me faz prender a respiração só de abrir o livro pela primeira vez. É aquela que nos leva a imaginar mundos alternativos, distantes, antigos, futurísticos. Que incorpora personagens e situações sobrenaturais de modo tão perfeito que, quando alguém interrompe nossa leitura, demoramos segundos para entender que voltamos à realidade. E, claro, que fascina, provoca calafrios, nos aprisiona em luz e trevas.
Quem nunca pensou em viajar numa máquina do tempo tão legal quanto a Tardis? Ou quis saber se entraria na Grifinória, na Sonserina, na Lufa-Lufa ou na Corvinal? Ou ainda se perguntou o que faria se fosse o portador do Um anel, sonhou com vampiros sedutores e perigosos, teve pesadelos com os mais variados tipos de monstros, desejou ter superpoderes, dominar a magia ou viver aventuras nos lugares mais incríveis, audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve?


Se a sua resposta for não para todas as possibilidades, talvez seja o momento de ler um bom livro de Literatura Fantástica. E, desta forma, se permitir uma viagem a um gênero que inclui terror, fantasia, ficção científica, mitos ancestrais, contos de fadas e todas as tramas costuradas com elementos inexistentes no mundo material.
Um gênero que, aparentemente tão alienante, reflete a natureza humana e nos faz pensar sobre a realidade ao nosso redor. Afinal, nada melhor do que um mergulho na imaginação, inspirado por palavras, frases e sentidos, para conhecer melhor a si mesmo.

Texto disponível também no site da Rocco

sábado, 15 de outubro de 2016

O começo de tudo

O arqueiro e a feiticeira foi o começo de tudo. Não apenas de uma série de livros, mas da minha vida como escritora. O ano era 2001 e eu já tinha 34 anos. Não era mais uma garotinha cheia de histórias na cabeça e sim a adulta que resolveu apostar no sonho. Na época, eu trabalhava como jornalista, ou seja, estava acostumada a escrever bastante. Não literatura, claro, mas histórias reais, fatos que precisam de apuração e pesquisa.


E o sonho foi acontecendo, desafiante, as ideias trabalhadas e retrabalhadas no texto que surgia. Uma das inspirações veio de um filme antigo, O feitiço de Áquila, que vi no cinema nos anos 80 e me influenciou a tal ponto que tive que criar minha própria história. Foram, então, partes dessa história original que utilizei para escrever aquele que se tornaria o primeiro livro da série A Caverna de Cristais.
E como os cristais acabaram entrando nessa história? Bom, a primeira cena que escrevi foi o prólogo do primeiro livro, quando a personagem Hannah confia a um subordinado uma perigosa missão. Eles se encontram numa caverna de cristais, cenário que escolhi depois de admirar por longos minutos um cristal que deixo sobre minha mesa de trabalho e que lembra uma pequena caverna. Cristal, aliás, que ganhamos de uma empresa como brinde de final de ano…


Daí você pensa: como é possível que um brinde de final de ano e um filme tão antigo possam servir de inspiração para uma emocionante saga de Literatura Fantástica, cheia de ação, suspense e reviravoltas, no passado, a primeira a ser publicada por uma escritora brasileira e, no presente, a primeira a sair exclusivamente como e-book pela Rocco? Eu te conto: porque funciona assim a cabeça de quem cria histórias. Imagens, sons, lembranças, absolutamente tudo, por mais comum que seja, pode servir como fonte de inspiração.
De todos os livros que escrevi até hoje (são quarenta publicados, finalistas de prêmios e selecionados por programas de governo), a série A Caverna de Cristais é a que reúne as inspirações mais diversas, de antigas religiões pagãs a Dragon Ball Z, de renascimentos a histórias medievais de cavalaria, de elfos a viagens espaciais, de alienígenas a belíssimas paisagens irlandesas e muito, muito mais. É uma grande mistura para uma receita única que ainda homenageia filmes, livros, autores, seriados, bandas de rock, HQs, desenhos animados, pessoas reais e fictícias.
Foi um laboratório de experimentações em minha jornada como escritora. Um trabalho que fui reescrevendo, cada vez mais experiente, várias e várias vezes em épocas diversas. Hoje considero a série amadurecida, reflexo do que fui e do que sou neste momento como escritora.
Uma grande aventura que começa com o arqueiro Thomas, um bruxo com poderes especiais e o único que poderá deter o avanço de inimigos aterrorizantes. Como a caverna de cristais do título, traz detalhes que compõem o todo, um cenário multifacetado em que nada realmente é o que parece.

Em tempo: Conheça os contos do universo A Caverna de Cristais (o download é gratuito!):


Texto disponível também no site da Rocco